NBR 5419 e NBR 5410: Como Integrar Aterramento e DPS
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- há 2 dias
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Você já considerou que a simples instalação de um para-raios pode ser insuficiente para garantir a segurança integral de uma instalação elétrica contra os efeitos das descargas atmosféricas?
A efetividade real depende da integração harmoniosa entre duas normas técnicas fundamentais. A norma NBR 5419 estabelece as diretrizes para proteção contra raios, enquanto a NBR 5410 rege as instalações elétricas de baixa tensão. Sua correta aplicação conjunta forma a base de um sistema robusto.

Com uma revisão importante da NBR 5419:2026 em horizonte, profissionais devem compreender esta interdependência. A proteção completa exige uma abordagem sistêmica, onde a malha de aterramento e os Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) atuam de forma coordenada, não isolada.
Esta coordenação assegura a dissipação segura de correntes e a limitação de sobretensões, preservando equipamentos e garantindo continuidade operacional. Dominar este conceito é crucial para projetos novos e para a reavaliação de instalações existentes.
Principais Pontos
A integração entre as normas ABNT NBR 5419 e NBR 5410 é fundamental para uma proteção efetiva contra raios.
O aterramento e os DPS são componentes interdependentes de um único sistema de proteção.
A revisão da NBR 5419 trará implicações práticas significativas para projetos e manutenções.
A eficácia do sistema depende diretamente da correta coordenação entre aterramento e DPS.
A abordagem deve ser sistêmica, integrando SPDA externo, DPS, aterramento e equipotencialização.
Mudanças normativas exigirão atenção especial em regiões de alto índice ceráunico.
Contextualizando a Revisão da NBR 5419: Atualização para 2026
O mapeamento da densidade de descargas atmosféricas no Brasil ganhará precisão inédita com a nova revisão. A ABNT NBR 5419 passará por consulta pública em 2025, com publicação estimada para 2026.
Esta será a atualização mais significativa desde 2015. Ela redefine completamente a base de dados para análise de risco de raios.

Novos índices e calibração com dados de satélite
O índice Ng, que mede a densidade de descargas, não usará mais mapas isoceráunicos antigos. A fonte agora é o sensor LIS da NASA, na Estação Espacial Internacional.
Esses dados são calibrados pela rede BrasilDAT. O resultado é um mapeamento muito mais preciso e atualizado do território nacional.
Em muitas capitais, o valor do Ng aumentou entre 75% e 700%. Projetos baseados em dados antigos podem estar subdimensionados para os riscos reais.
Alterações na nomenclatura: Gerenciamento para Análise de Risco
A Parte 2 da norma muda de "Gerenciamento de Risco" para "Análise de Risco". Esta mudança reflete uma abordagem mais técnica e objetiva.
O foco está na avaliação quantitativa da necessidade de proteção. O objetivo é prevenir danos a estruturas e equipamentos de forma mais eficaz.
Profissionais devem acompanhar a consulta pública. A preparação para aplicar os novos requisitos da NBR 5419:2026 é essencial.
Impactos na Análise de Risco e Reavaliação de Projetos
O aumento significativo do índice Ng em diversas capitais brasileiras coloca em xeque a segurança de instalações elétricas projetadas com dados antigos. A nova análise de risco, conforme a norma revisada, torna obrigatória a reavaliação de muitos sistemas.

Exemplos práticos de cálculo e riscos em capitais
Considere um edifício comercial em uma capital onde o Ng subiu 200%. O risco calculado pode saltar de um nível aceitável (abaixo de 10⁻⁵) para inaceitável (acima de 10⁻³).
Isso torna obrigatório o SPDA. O objetivo é prevenir danos a pessoas e patrimônio, algo que projetos antigos podem não garantir mais.
Critérios para reavaliação dos projetos existentes
Projetos devem ser reavaliados quando:
A estrutura está em região com aumento relevante do Ng.
Houve mudança no uso ou ocupação do local.
O sistema está próximo do fim do seu ciclo de manutenção.
Esta revisão é crucial para manter a proteção em nível adequado contra raios, assegurando a conformidade com a norma.
NBR 5419 e NBR 5410 aterramento DPS: Integração e Aplicação
Projetar uma instalação resiliente a surtos exige a integração meticulosa das prescrições de duas normas técnicas fundamentais.
Esta sinergia assegura que a blindagem seja completa. Ela vai desde a captação da descarga até a defesa dos circuitos internos.
Diretrizes para coordenação entre aterramento e DPS
O conceito central é um sistema de aterramento único e integrado. Ele deve dissipar correntes intensas de origem atmosférica.
A equipotencialização entre os diversos subsistemas é crítica. Ela evita diferenças de potencial perigosas dentro da edificação.

Especificações normativas para garantir a proteção contra surtos
A proteção contra surtos exige atenção aos modos comum e diferencial. A escolha depende do esquema de aterramento praticado.
As conexões devem ser as mais curtas e retas possíveis. A norma ABNT NBR 5410 estipula um comprimento máximo de 0,5 metro para a ligação no quadro.
Isso minimiza a impedância e garante a resposta eficaz do dispositivo. O barramento de equipotencialização é o ponto de referência obrigatório para todos os equipamentos sensíveis.
Aspectos Técnicos e Inovações em Materiais
Inovações técnicas e novos materiais são destaques na atualização da norma de proteção contra descargas atmosféricas. A revisão introduz materiais avançados e requisitos mais rigorosos para componentes do sistema.

Novos materiais: cabo de aço cobreado e cobre nu em concreto
A norma agora inclui o cabo de aço cobreado para condutores de descida. Este material oferece maior resistência mecânica mantendo condutividade adequada.
Outra inovação é o uso de cobre nu embutido em concreto armado. Ele permite integração direta com as armaduras estruturais.
Tipo de DPS | Seção Mínima do Condutor (Cobre) | Aplicação Principal |
Tipo 1 | 16 mm² | Proteção contra descarga direta |
Tipo 2 | 6 mm² | Proteção contra surtos induzidos |
Requisitos de ensaio e eliminação do Arranjo A de aterramento
O novo Anexo F estabelece testes obrigatórios para componentes. São ensaios de continuidade elétrica e resistência mecânica.
Além disso, o Arranjo A de aterramento foi eliminado. Apenas o Arranjo B, com condutor em anel externo, permanece. Esta mudança busca maior eficácia na equipotencialização.
Fortalecimento da proteção com DPS e ZPR
A Parte 4 da norma reforçou a proteção de equipamentos eletrônicos sensíveis. O conceito de Zonas de Proteção contra Raios (ZPR) é aplicado de forma prática.
A instalação coordenada de dispositivos contra surtos em cascata é essencial. Isso limita as tensões transitórias e a energia das sobretensões que atingem os equipamentos, elevando o nível de segurança.
Aplicação Prática em Instalações Elétricas
Casos reais demonstram a urgência de atualizar sistemas de proteção contra descargas atmosféricas. A revisão normativa traz implicações diretas para instalações elétricas existentes.

Estudo de casos: aumento do Ng e impactos na prática
Um edifício comercial em região metropolitana teve seu índice Ng recalculado com alta de 200%. O uso de dados atualizados é fundamental.
O risco, antes considerado aceitável, ultrapassou o limiar normativo. O conjunto de medidas inclui reavaliação e adequação.
Isso afeta instalações em diferentes ambientes. O objetivo é prevenir danos a pessoas e evitar perdas de equipamentos sensíveis.
Orientações para atualização conforme a NBR 5419:2026
O primeiro item é reavaliar o risco com os novos dados de densidade de descargas. Em seguida, verificar a conformidade do sistema existente.
A posição dos dispositivos de proteção depende do objetivo. A tabela abaixo resume as diretrizes principais:
Objetivo da Proteção | Ponto de Instalação | Tipo Indicado |
Sobretensões da linha externa | Entrada da linha (ZPR 0B/1) | Tipo 1 ou 2 |
Descargas diretas na edificação | Entrada da linha na edificação | Tipo 1 |
Proteção de equipamentos | Quadro ou próximo ao item | Tipo 2 ou 3 |
A coordenação em cascata garante que a energia das sobretensões seja limitada em cada nível. A ligação ao barramento de equipotencialização deve ser curta. Isso protege os ambientes internos contra danos.
Conclusão
Concluindo a análise técnica, a harmonização entre normas técnicas se mostra como pilar central para a proteção efetiva. A revisão da NBR 5419:2026 representa uma mudança significativa, exigindo atualização de conhecimentos e reavaliação de projetos existentes.
A integração adequada entre as normas é essencial para garantir a segurança. Um sistema de aterramento integrado, com dispositivos coordenados e equipotencialização completa, forma um conjunto único de defesa.
Profissionais devem acompanhar a consulta pública e preparar-se para os novos requisitos. A conformidade técnica não é apenas exigência legal, mas compromisso com a preservação de ambientes e equipamentos.
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FAQ
Como a norma NBR 5419 define a integração entre o sistema de aterramento e os dispositivos de proteção contra surtos (DPS)?
A norma estabelece que o aterramento e os DPS devem atuar de forma coordenada. O sistema de aterramento fornece o caminho de baixa impedância para a corrente do raio, enquanto os DPS limitam as sobretensões que penetram nas instalações elétricas. A ligação equipotencial e a correta especificação dos DPS, conforme os níveis de proteção (UP), são fundamentais para essa integração eficaz.
Quais são os principais impactos da revisão da NBR 5419:2026 para projetos de proteção contra descargas atmosféricas?
A principal mudança está na análise de risco. A nova calibração do índice ceráunico (Ng) com dados de satélite pode alterar significativamente o nível de risco calculado para uma estrutura, especialmente em regiões metropolitanas. Projetos existentes podem necessitar de reavaliação para garantir que a proteção permaneça adequada e em conformidade com a norma atualizada.
Qual a função prática de um DPS em uma instalação conforme a NBR 5410?
O dispositivo de proteção contra surtos tem a função prática de limitar sobretensões transitórias, provenientes de raios ou manobras na rede, a um valor seguro para os equipamentos eletrônicos sensíveis. Ele é instalado nos quadros de distribuição e deve ser coordenado com o aterramento geral da edificação, protegendo assim os circuitos e evitando danos aos componentes.
O que muda na especificação de materiais para o aterramento com a nova edição da norma?
A revisão fortalece a confiabilidade do sistema. Ela introduz a previsão do uso de cabos de aço cobreado e reforça as orientações para o uso de cobre nu em concreto. Além disso, elimina o chamado "Arranjo A" de aterramento, exigindo configurações mais robustas e previsíveis para garantir a segurança e a dissipação eficiente da energia.
Quando um projeto de sistema de proteção precisa ser reavaliado por um profissional?
A reavaliação é recomendada quando há alteração no uso ou conteúdo da edificação, expansão física, mudança no entorno ou após a publicação de uma nova versão normativa, como a NBR 5419:2026. O aumento do índice Ng em uma localidade, calculado com os novos dados, é um fator crítico que frequentemente demanda uma nova análise de risco e possível ajuste no projeto.
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