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DPS na NBR 5419: 2026: Novas Exigências e Como Aplicar

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    Elétrica Academy Blog
  • há 1 dia
  • 9 min de leitura

Você sabia que os sistemas de proteção contra raios projetados hoje podem estar obsoletos antes mesmo de serem instalados?


A revisão da norma brasileira para descargas atmosféricas, com consulta pública em 2025, trará mudanças profundas. A atualização prevista para 2026 responde a dados científicos novos e alarmantes.



O Brasil é o país com maior incidência de raios no mundo. Isso exige uma proteção contra descargas mais precisa e eficiente. A nova versão da norma incorpora tecnologias de satélite para calcular riscos com exatidão municipal.


Para profissionais do setor elétrico, essas mudanças não são burocráticas. Elas impactam diretamente a segurança de pessoas, equipamentos e estruturas. Projetos baseados na edição anterior de 2015 podem estar seriamente subdimensionados.


Principais Pontos de Atenção


  • A revisão da nbr 5419 representa uma transformação profunda na forma de projetar e implementar sistemas de proteção.


  • As alterações são fundamentadas em dados científicos atualizados que mostram uma incidência de raios significativamente maior.


  • Profissionais que utilizam parâmetros antigos correm o risco de dimensionar sistemas inadequados, comprometendo a segurança.


  • A nova versão usa tecnologia de satélite (LIS/NASA) calibrada pela BrasilDAT, substituindo os antigos mapas e oferecendo precisão municipal para o índice Ng.


  • O índice de densidade de descargas (Ng) aumentou drasticamente em algumas regiões, exigindo a revisão de laudos e projetos existentes.


  • A Parte 2 da norma foi reformulada, passando de "Gerenciamento" para "Análise de Risco", com a introdução do conceito de Frequência de Danos.


  • A integração entre as partes da norma e sua correlação com a NBR 5410 e NR-10 tornou-se mais explícita, demandando uma visão sistêmica.


Introdução à Atualização da NBR 5419: 2026


Em 2025, a ABNT submeteu à consulta pública o projeto da nova edição da norma, um passo fundamental que antecedeu a vigência esperada para 2026. Este processo seguiu as diretrizes da associação, com a Comissão de Estudos consolidando alterações técnicas.



Contexto da Revisão e Consulta Pública


A consulta nacional é a etapa final antes da publicação. Nela, o texto é disponibilizado para toda a comunidade técnica. Projetistas, instaladores e fabricantes podem enviar contribuições fundamentadas para análise.


Esta revisão vai além de uma simples atualização periódica. Ela responde a avanços tecnológicos em medição de raios e ao acúmulo de novos dados científicos sobre sua incidência real no país.


Objetivos e Importância para os Profissionais


Para os profissionais do setor, entender estas mudanças é crucial. A nova versão da nbr 5419 busca maior precisão nos cálculos e alinhamento com práticas internacionais.


A norma mantém sua divisão em quatro partes, mas com alterações substanciais em cada uma. Isso exige uma revisão completa do conhecimento aplicado.


Foco da Atualização

Objetivo Específico

Benefício para o Projeto

Precisão de Dados

Incorporar medições por satélite para o índice Ng.

Cálculos de risco com exatidão municipal.

Metodologia de Análise

Introduzir o conceito de Frequência de Danos.

Avaliação de risco mais abrangente e realista.

Proteção Eletrônica

Reforçar requisitos para sistemas internos sensíveis.

Maior segurança para equipamentos e continuidade operacional.


Principais Mudanças e Impactos na Norma


A mudança mais disruptiva na norma reside na substituição completa da base de dados utilizada para dimensionar sistemas de proteção.


Isso redefine todos os cálculos de risco e exige uma reavaliação imediata de projetos existentes.


Novo Índice Ng e Uso de Dados de Satélite


O antigo índice, baseado em mapas isoceráunicos e observações visuais, foi totalmente reformulado. A versão atualizada adota dados do sensor LIS da NASA, calibrados pela rede BrasilDAT.



Cada município brasileiro possui agora um valor único de Ng. Esse valor reflete a maior densidade de descargas observada em seu território.


O impacto é drástico. Em diversas capitais, o Ng aumentou entre 75% e mais de 700%. Projetos antigos podem estar severamente subdimensionados.


Alterações na Análise de Risco e Frequência de Danos


A Parte 2 da nbr 5419 mudou de título para "análise de risco". Seu foco agora está nas perdas humanas (L1) e no patrimônio cultural (L3).


Foi introduzido o conceito de Frequência de Danos (F). Ele avalia eventos prejudiciais em sistemas eletrônicos.


Para sistemas não críticos, a frequência tolerável é de 1 evento por ano. Para sistemas críticos, o limite cai para 0,1 evento por ano.


Essa mudança exige uma análise de risco mais granular e específica por zona ou equipamento.


DPS NBR 5419 2026: O que Mudou para os Sistemas de Proteção


Um dos pilares da atualização normativa é o reforço na proteção contra surtos de equipamentos eletrônicos internos. A Parte 4 da nbr 5419 eleva a importância das Zonas de Proteção contra Raios.



Requisitos Atualizados e Coordenação com SPDA


O conceito de ZPR define áreas com diferentes níveis de exposição ao impulso eletromagnético. Cada transição entre essas zonas agora exige um dispositivo de proteção dimensionado e coordenado.


A coordenação entre o SPDA externo e os sistemas proteção internos é um requisito explícito. Isso inclui analisar a impedância dos condutores e o roteamento de circuitos para evitar laços de indução.


Dispositivos Classe I tornaram-se obrigatórios na entrada de energia em edificações com SPDA. Eles devem atender à norma ABNT NBR IEC 61643-11.


A seleção considera a diferença entre dispositivos comutadores e limitadores de tensão. A coordenação em cascata garante que cada unidade atue em sua faixa designada.


Sistemas de proteção para instalações fotovoltaicas e carregamento de veículos elétricos receberam atenção específica. A verificação da Frequência de Danos auxilia na customização das soluções.


Novos Materiais e Alterações no Aterramento


A integridade de um SPDA depende diretamente da qualidade e durabilidade dos materiais utilizados no aterramento. A nova versão da norma traz especificações atualizadas para componentes e configurações.



Inclusão de Cabo de Aço Cobreado e Cobre Nu em Concreto


A lista de materiais homologados foi ampliada. O cabo de aço cobreado foi incluído nas tabelas, com seção mínima equiparada à do cobre puro.


Este material oferece vantagem econômica e reduz furtos. Sua menor sucata desestimula roubos em instalações expostas.


Foi permitido o uso de cabos com isolação especial. Eles mantêm a distância de segurança perto de superfícies metálicas.


A norma desaconselha o aço zincado na transição concreto-solo. A corrosão galvânica compromete a continuidade elétrica.


Eliminação do Arranjo A de Aterramento


O Arranjo A, de configuração simplificada, foi completamente eliminado. Permanece obrigatório apenas o Arranjo B, com condutor em anel externo.


Esta mudança garante distribuição mais uniforme da corrente de descarga. A estrutura protegida deve ser circundada pelo anel.


Para edificações geminadas, a instalação interna do anel agora é permitida. A norma também exige a continuidade completa do condutor, sem supressões.


Material/Configuração

Situação Anterior

Nova Versão (2026)

Cabo de Aço Cobreado

Não homologado para todas as aplicações.

Incluído com seção mínima de 50 mm², igual ao cobre.

Aço Zincado (transição concreto-solo)

Uso comum.

Desaconselhado devido à corrosão acelerada.

Arranjo de Aterramento

Arranjos A e B permitidos.

Apenas Arranjo B (anel externo) é obrigatório.

Anel de Aterramento (edificações geminadas)

Instalação externa exigida.

Instalação interna do anel é permitida.


As alterações refletem o aprendizado sobre falhas em condições brasileiras. Elas buscam soluções de aterramento mais robustas e duráveis.


Proteção de Equipamentos Eletrônicos e Segurança Operacional


A revolução digital das instalações modernas transferiu o ponto crítico de vulnerabilidade para os circuitos eletrônicos. A Parte 4 da norma concentra-se na proteção interna contra o impulso eletromagnético das descargas atmosféricas.


Reforço na Proteção de Equipamentos via DPS e ZPR


O conceito de Zonas de Proteção contra Raios cria ambientes com níveis decrescentes de exposição. Cada transição entre zonas exige medidas específicas.


Zona de Proteção

Nível de Exposição

Medidas Obrigatórias

ZPR 0

Externo total

SPDA completo

ZPR 1

Interior da edificação

DPS na entrada, equipotencialização

ZPR 2+

Salas técnicas blindadas

Blindagem magnética, roteamento controlado


A análise de risco financeiro tornou-se requisito explícito. Projetistas devem quantificar o valor dos ativos eletrônicos e o custo da interrupção operacional.


Em ambientes da Indústria 4.0, a falha de um controlador pode paralisar produção inteira. Sistemas de automação residencial também apresentam alta vulnerabilidade.


A blindagem eletromagnética e o roteamento adequado de cabos são medidas complementares essenciais. Elas minimizam laços de indução que causam falhas.


A coordenação entre dispositivos de proteção, aterramento e equipotencialização é agora obrigatória. Esta integração garante a segurança operacional contínua dos equipamentos.


Integração com Outras Normas: NR-10 e NBR 5410


A eficácia de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas não se limita ao cumprimento de uma única norma técnica. Ela depende da aplicação harmoniosa de um conjunto regulatório integrado.


Especificamente, a nbr 5419 estabelece uma interface direta com a NBR 5410 para o sistema de aterramento e com a NR-10 para segurança durante serviços. Essa sinergia é obrigatória para a conformidade legal.


Requisitos de Medição e Conformidade Legal


A responsabilidade técnica aumentou significativamente. Laudos baseados em parâmetros desatualizados podem configurar negligência profissional em caso de sinistro.


A norma agora exige um plano documentado de inspeção e manutenção. Ele deve especificar periodicidade, procedimentos e critérios de aceitação para todas as intervenções.


As medidas de resistência de aterramento tornaram-se obrigatórias. É preciso usar terrômetro calibrado e registrar os resultados.


Inspeções extraordinárias são necessárias se houver suspeita de que o SPDA foi atingido. A atuação de um dispositivo de proteção na entrada de energia também demanda verificação imediata.


Para trabalhos em instalações elétricas, o isolamento de partes vivas segue rigorosamente os requisitos da NR-10. A segurança dos profissionais durante a manutenção é inegociável.


Portanto, dominar apenas a nbr 5419 é insuficiente. O profissional deve possuir uma visão sistêmica de todo o arcabouço normativo para garantir a segurança das pessoas e instalações. As medidas de proteção devem ser sempre validadas por manutenção adequada e documentada.


Exemplos Práticos e Aplicações em Projetos Elétricos


Dominar os exemplos práticos da atualização normativa é a chave para projetos elétricos seguros e conformes. A aplicação direta das novas regras transforma cálculos abstratos em sistemas de proteção reais.


Milhares de estruturas possuem laudos defasados. A revisão técnica obrigatória abre um mercado significativo para profissionais capacitados.


Cenários de Adequação em Projetos Existentes


Um edifício comercial projetado em 2020 com Nível de Proteção III pode necessitar de um upgrade para o Nível II. O aumento do índice Ng em sua região exige uma malha de captação mais fechada.


Isso impacta todo o subsistema de captação e o aterramento estrutural. A fundação deve dissipar energias maiores com segurança.


Para estruturas industriais, a metodologia de Frequência de Danos pode exigir sistemas de proteção coordenados em múltiplos níveis. O objetivo é manter a operação de equipamentos críticos.


Ferramentas e Procedimentos para Medições Precisos


A verificação da conformidade exige instrumentos específicos. A medição precisa do aterramento é uma etapa fundamental.


Ferramenta

Aplicação Principal

Norma de Referência

Terrômetro digital de quatro pontas

Medição da resistência de aterramento (Método Wenner)

ABNT NBR 15749

Alicate volt-amperímetro

Verificação de continuidade elétrica

ABNT NBR IEC 61010

Megômetro

Ensaio de isolação de condutores

ABNT NBR NM 608


O procedimento prático inclui posicionar eletrodos auxiliares a distâncias padronizadas. Realizar múltiplas medições e calcular a média assegura um resultado confiável.


A documentação do projeto adequado deve conter memorial de cálculo comparativo. A especificação detalhada de materiais homologados é obrigatória.


Esses exemplos ilustram a aplicação concreta da norma. Eles guiam a execução de projetos seguros e a manutenção da conformidade legal.


Conclusão


A conclusão desta análise evidencia que a atualização normativa redefine os fundamentos da proteção contra descargas atmosféricas no Brasil. As mudanças, baseadas em dados científicos recentes, exigem uma revisão completa de projetos e laudos existentes.


A nova metodologia de análise de risco e a verificação da Frequência de Danos representam avanços críticos. Elas focam na continuidade operacional de sistemas eletrônicos e na segurança de pessoas dentro das estruturas.


Para profissionais, dominar esses conceitos é imperativo. A adequação de milhares de instalações oferece uma oportunidade técnica e comercial significativa. A norma revisada, como a nbr 5419, demanda integração sistêmica com todo o arcabouço regulatório.


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FAQ


Qual é a principal importância da nova versão da norma para os profissionais do setor?


A revisão incorpora avanços tecnológicos e dados climáticos atualizados, elevando a precisão na análise de risco e no dimensionamento dos sistemas de proteção. Isso capacita os profissionais a desenvolverem projetos mais eficientes e seguros, alinhados com as melhores práticas internacionais e a realidade brasileira.


Como o novo índice Ng, baseado em dados de satélite, impacta o projeto de um SPDA?


O índice Ng atualizado reflete com maior precisão a densidade de descargas atmosféricas em uma região. Isso impacta diretamente o nível de proteção necessário, podendo alterar a classe do SPDA, a configuração da malha de captação e as especificações dos dispositivos de proteção contra surtos associados.


Quais foram as mudanças mais relevantes nos requisitos para os dispositivos de proteção contra surtos (DPS)?


A norma reforçou a necessidade de coordenação entre o sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) e os DPS instalados nas entradas das edificações e nos quadros de distribuição. A seleção e a instalação desses equipamentos devem considerar a nova análise de risco e a divisão em zonas de proteção contra raios (ZPR) para uma segurança integrada.


Por que o arranjo "A" de aterramento foi eliminado e quais são as alternativas?


O arranjo "A" foi retirado por oferecer um desempenho inferior em solos de alta resistividade. A norma agora preconiza o uso do arranjo em anel (ou malha), que proporciona uma distribuição de potencial mais uniforme e uma impedância de aterramento mais baixa, essencial para a dissipação segura da corrente do raio.


Como a norma trata a proteção de equipamentos eletrônicos sensíveis em instalações existentes?


A aplicação exige uma nova análise de risco conforme a versão atualizada. Com base no resultado, pode ser necessário implementar ou ajustar medidas de proteção, como a instalação de DPS coordenados nas linhas de energia e de dados, e a verificação da equipotencialização dos sistemas de aterramento para mitigar danos físicos e perdas de dados.


Qual a relação prática entre a NBR 5419:2026, a NR-10 e a NBR 5410 em um projeto?


Enquanto a NBR 5419 foca na proteção da estrutura e dos sistemas internos contra descargas diretas e indiretas, a NR-10 estabelece as condições de segurança para trabalhadores em instalações elétricas. Já a NBR 5410 normatiza as instalações elétricas de baixa tensão. O projeto deve harmonizar os requisitos das três, garantindo segurança patrimonial, operacional e das pessoas.


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